Vereadores de Divinópolis dizem que lanche é "um lixo" e exigem x-egg

Câmara prevê gastar quase R$ 100 mil este ano com a regalia para os parlamentares, que pedem ainda salada de frutas e água com gás. Servidor terá pão de sal e café com leite
Divulgação/Câmara Municipal de Divinópolis

Câmara prevê gastar quase R$ 100 mil este ano com a regalia para os parlamentares, que pedem ainda salada de frutas e água com gás. Servidor terá pão de sal e café com leite


Em meio aos discursos de austeridade e economia, a Câmara Municipal de Divinópolis, Região Centro-Oeste de Minas, elevou a previsão de despesas com lanches dos vereadores. O valor orçado para os 12 meses de 2020 é de R$ 93.218,00, 37,6% superior que o do ano passado.

O pacote inclui água com gás, biscoito de queijo, salada de fruta, diferentes tipos de bolos, sanduíche natural, pão de queijo e até x-egg, além de refrigerantes e sucos naturais. Tudo isso, sem os vereadores terem que desembolsar nenhum centavo do subsídio mensal de aproximadamente R$ 11 mil.

O contrato com a empresa responsável pelo fornecimento foi fechado após licitação na modalidade pregão. A vencedora foi a Padaria Floresta, única concorrente. O reajuste ficou bem acima da inflação, que ficou 4,31%. Em 2019, estavam previstos com lanche R$ 67.726,40. Na época, a responsável era a padaria do supermercado Rena.

De acordo com o setor de suprimentos da Câmara – responsável em orçar os valores, o que encareceu a compra foi a lista de exigências dos vereadores. Quando comparadas, a de 2020 tem mais itens, sendo 10.740 contra 9.024 do ano anterior. Entre os produtos diferentes estão água com gás de 2 litros (150 unidades), o x-egg (250 unidades) e salada de fruta (1 mil unidades).

Apesar da previsão orçamentária, em 2019, a câmara não gastou nem 50% do montante. Saíram dos cofres públicos R$ 33.622,98 para arcar com as despesas de lanches para os 17 vereadores e os cerca de 150 servidores do Legislativo. Para esses últimos, são servidos apenas pão de sal e café com leite, o banquete fica para os parlamentares.

O valor entre o orçado e gasto foi motivo de questionamento da oposição. “Se no ano passado gastou R$ 33 mil, este ano teria que colocar uma meta de não passar de R$ 30 mil. Por que teve esse aumento todo se não é para gastar?”, indagou o vereador Roger Viegas (Pros). Para ele, ao se estabelecer um montante, não há impedimentos para o consumo.

“É apenas uma expectativa, mas a partir do momento que é uma expectativa abre brecha para que este valor integral seja pago”, argumentou. Ele defendeu que seja estendido aos vereadores pão de sal e café assim como é servido para os servidores.

"Lanche lixo"

O aumento de quase R$ 25 mil na previsão de gastos pode estar ligado às exigências feitas por alguns vereadores. Sem revelar nomes, o presidente Rodrigo Kaboja (PSD) disse que recebeu reclamações do serviço anterior. “Tenho documento, assinado por alguns vereadores, para trocar o lanche, porque o lanche era um lixo. Está assinado, na licitação”, afirmou.

Reagindo às críticas devido ao aumento, o presidente cogitou a possibilidade de cortar os lanches servidos às terças e quintas-feiras, em dias de reunião ordinárias e também em extraordinárias. “Esse vereador não come lanche aqui não. Então, para eu cortar de todo mundo, como eu cortei em dezembro e janeiro, não custa”, ameaçou.

Para isso, Kaboja quer que os parlamentares assinem um pedido para suspender o fornecimento. “Do mesmo jeito que pediram para trocar, gostaria que os vereadores fizessem um documento para eu cortar o lanche”, desafiou. Mesmo que não ocorra a suspensão, o presidente da Câmara estima que o gasto fique abaixo do consumido em 2019. Nos últimos meses de dezembro e janeiro o lanche foi suspenso como medida de contenção de gastos.

Repórter: Amanda Quintiliano - Especial para o Estado Minas

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