Cenibra deve ser multada em cerca de R$ 500 mil por emissão de gás que causou mau cheiro, diz polícia

Foto: Patrícia Belo/G1 dos Vales

Segundo a Polícia Militar de Meio Ambiente, a empresa pode responder pelo crime de prática de poluição com um agravante de causar dano direto à saúde da população.


Na manhã da última quarta-feira (19), representantes da Polícia Militar de Meio Ambiente e do Núcleo de Emergência Ambiental de Minas Gerais (NEA) foram à Cenibra, indústria produtora de celulose, para fiscalizar a empresa após a confirmação de que foi a responsável pela emissão do gás que causou o mau cheiro sentido em cidades do Vale do Aço.

Segundo o capitão Átila Porto, da Polícia Militar de Meio Ambiente, a fiscalização teve o objetivo de verificar o funcionamento do sistema de emissão do gás em que foi detectada falha. Em casos como esse, a empresa é obrigada a comunicar as autoridades ambientais.

“Empresas de médio e grande porte que trabalham com resíduos que são despejados na atmosfera, têm um prazo para notificar as autoridades ambientais, que por sua vez farão a comunicação à população, além de adotar medidas mitigadoras para conter o acidente. Nesse caso, não houve isso”, explicou.

Ainda de acordo com a polícia, o boletim de ocorrência já foi finalizado e a Cenibra deve responder por prática de poluição com um agravante de causar dano direto à saúde da população. Os responsáveis pela empresa podem pegar até cinco anos de prisão.

O NEA ficou responsável pela emissão do auto de infração e afirmou que a empresa será multada; o valor será de cerca de R$ 500 mil.

Falha no sistema

O Ministério Público (MP) divulgou uma nota nessa terça-feira (18), responsabilizando a Cenibra pela emissão de gases que causaram mau cheiro no Vale do Aço na madrugada de quarta-feira (12).

Segundo o órgão, “foi detectada a emissão de gases mercaptanas (GNC – Gases Não Condensáveis) pela empresa Cenibra, por um tempo maior que o usual, no dia 11 de fevereiro de 2020, no período de 16h às 23h30”.

Ainda de acordo com o MP, a empresa informou que houve uma falha no sistema o que causou a emissão dos gases por um tempo maior que o usual.

O que diz a Cenibra

A Cenibra informou por meio de nota que, no momento do acidente, não havia detectado nenhuma anormalidade no processo produtivo.

“A partir da constatação da condição atípica de percepção de odor pela população, iniciou-se uma rigorosa apuração, conduzida por técnicos especializados da Empresa, que detectou um acionamento do sistema de segurança de queima de gases não condensáveis (GNC – mercaptanas). Este sistema existe para evitar riscos a pessoas e equipamentos”, disse a nota.

Ainda de acordo com a empresa, representantes procuraram o Ministério Público, Polícia Militar de Meio Ambiente e o Núcleo de Emergências Ambientais para informar sobre a falha no sistema assim que foi descoberta.

A nota ainda explica que as condições climáticas podem ter ajudado na percepção do mau cheiro na região e que no Vale do Aço não há um sistema de monitoramento da qualidade do ar capaz de detectar tal condição.

“A empresa ressalta que, pelas características do referido gás produzido no processo, não há risco ou perigo de danos à saúde da população, mas apenas desconforto relacionado ao odor”.

A nota diz ainda que a Cenibra contratou um estudo com consultoria especializada para avaliar e entender a dinâmica de dispersão dos gases em diferentes condições atmosféricas em sua região de abrangência.

“A CENIBRA reafirma que monitora continuamente seu processo produtivo e cumpre com transparência todas as normas e os padrões exigidos pela legislação e pelas licenças ambientais vigentes”, finalizou a nota.

(G1 dos Vales)

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