Justiça bate martelo hoje sobre recurso do Paysandu na Série C

Foto: Jorge Luiz / Paysandu
Diário On Line

Nada de estádio lotado, bola rolando e gols para o torcedor festejar. As atenções da torcida do Paysandu estarão voltadas, hoje, para um outro campo, o jurídico, no qual o clube decide o seu mais importante jogo na temporada e que, ao final, decretará a volta ou não do time à Série C do Brasileiro. O recurso impetrado pelo clube, pedindo a impugnação da partida na qual foi derrotado, nos pênaltis (5 a 3), pelo Náutico-PE, nos Aflitos, em Recife, pela semifinal do campeonato, será julgado a partir das 11h pelo Pleno do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), no Rio de Janeiro (RJ).

Em sua defesa, o Papão, por intermédio do advogado contratado pelo clube na capital carioca, Michel Assef Filho, alega que houve erro de direito por parte do árbitro Leandro Pedro Vuaden ao marcar, supostamente equivocado, nos acréscimos do jogo, um pênalti, convertido por Jean Carlos, definindo o empate (2 a 2) no tempo normal da partida. Com o resultado, a decisão da vaga na penúltima etapa da Série C acabou sendo vencida pelo Timbu, que assegurou, também, acesso à Série B de 2020 junto com os outros três semifinalistas - Sampaio Corrêa-MA, Juventude-RS e Confiança-SE.

Em sua argumentação de defesa, Assef Filho se ampara na Regra 12, que não classifica como penalidade máxima se a mão ou braço estiver perto do corpo. No lance em questão, Caíque Oliveira cabeceou a bola na direção do braço esquerdo de Anderson Uchôa, que não teria, ainda na versão bicolor, interferido na trajetória da bola dentro da grande área do Papão.

O recurso, protocolado no dia 11, pouco mais de 48 horas após a partida, foi analisado e aceito pelo presidente do STJD, Paulo César Salomão Filho, que determinou à CBF a não homologação do resultado do jogo.

Embora tenha colocado a partida sub júdice (em apreciação na Justiça), o presidente do STJD negou a paralisação da Série C até que o caso fosse resolvido, como desejavam os bicolores. Em seu despacho, Paulo César, alegou que a medida seria excessivamente prejudicial aos clubes participantes e ao restante do desenrolar do campeonato.



EM APRECIAÇÃO

O recurso será apreciado pelos 12 auditores que formam o Pleno e que darão o veredito sobre o pedido do Paysandu que pede a impugnação da partida e, consequentemente, sua volta à Série C, o que garantiria ao clube o direito de disputar a Série B do ano que vem.

Os argumentos do Náutico

Comunicado pela secretaria do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) do recurso impetrado pelo Paysandu, o Náutico, como um dos implicados no caso, apresentou sua defesa na terça-feira (17), com a procuradoria do Tribunal tendo até ontem para se manifestar sobre os argumentos apresentados pelo clube. O advogado Roberto Selva, que foi contratado pelo Timbu, no Rio de Janeiro, promete fazer no Pleno “uma defesa técnica” de seu cliente, “demonstrando que não existe suporte para o pedido do Paysandu”, conforme detalhou ao Jornal do Commercio, de Recife.

Em entrevista à publicação pernambucana, Selva deu alguns detalhes da argumentação que pretende utilizar perante os auditores para tentar convencê-los a arquivar o caso. “Depois do jogo ocorrido, do resultado consumado, do árbitro competente para dar pênalti ter marcado, o STJD não pode fazer papel de VAR (sistema de vídeo que ajuda o árbitro a dirimir dúvida ou corrigir falha). Se houve erro, foi de interpretação e isso não se corrige em tribunal”, alega o advogado.

Pedido de VAR

Na defesa do clube, Selva também argumentará que o Náutico chegou a pedir à Confederação Brasileira de Futebol (CBF) a utilização do VAR na partida, o que não foi aceito pela entidade. A solicitação, no entanto, teria segundo um dirigente bicolor, feito parte dos planos do Náutico para mascarar a utilização de recursos ilícitos por parte do time durante a partida. O cartola, que pede anonimato, lembra que desde que o confronto entre os clubes ficou definido, o presidente alvirrubro, Edno Melo, vinha acusando o adversário de tramar nos bastidores. “Mas na verdade quem fazia isso era ele”, acusa o cartola.

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