'Ela foi agredida semanas antes do crime e não continuou com a denúncia', diz família de brasileira morta em Portugal

Reprodução/Arquivo pessoal
G1 Vales

Familiares revelaram ao G1 que Camila não prosseguiu com a denúncia por medo de ser deportada pelo governo português. Os dois eram primos e família não sabia do relacionamento antes de irem para Portugal.

A família da brasileira Camila da Silva Mendes, morta pelo namorado em Arruda dos Vinhos, distrito de Lisboa, em Portugal, revelou ao G1 nesta quinta-feira(10) que a vítima foi agredida semanas antes do crime. Camila foi atingida com um golpe letal de arma branca na terça-feira (1º); o corpo foi colocado dentro de uma mala e abandonado em uma mata.

Segundo Werleis Silva, irmão da vítima, o namorado era agressivo com Camila quando ingeria bebida alcoólica. Ele ainda conta que a família só soube do relacionamento dos dois quando Camila já estava em Portugal. Conforme Werleis, a mãe aconselhou a filha a vir embora para Ipatinga (MG) após o relato da primeira agressão, mas ela não quis voltar.

“O relacionamento deles era recente, iriam fazer cinco meses de namoro. Teve um pedido de intervenção da polícia portuguesa na época, porém, como ela não queria sofrer algum tipo de opressão ou deportação, acabou não levando adiante”, contou.

Ainda de acordo com o irmão, Camila era prima do autor e teria escondido a informação à família de que iria com o companheiro para Portugal.

“A gente nem esperava um relacionamento desse, por serem parentes próximos. Enquanto eles estavam aqui no Brasil, a gente não sabia dessa relação. Não sabíamos que os dois estavam indo juntos para Portugal. Nós tínhamos uma certa desconfiança”, afirmou.

Segundo a família, o processo para o translado do corpo de Camila está adiantado e deve chegar a Belo Horizonte até quinta-feira da próxima semana.

“Estamos em contato com a funerária de lá e já vamos fazer o depósito dos valores na conta deles. Em seguida, eles vão levantar a documentação; a previsão para a chegada do corpo no Brasil vai depender muito da cooperação de Portugal. O diretor da funerária nos disse que semana que vem ela chega, mas isso dependerá, também, das embaixadas portuguesa e brasileira e do governo português com a liberação do corpo. Os esforços deles têm sido grandes, graças a Deus”, disse.

Entenda o caso

Conforme nota divulgada pela Polícia Judiciária (PJ), através da Diretoria de Lisboa e Vale do Tejo, Camila foi atingida com um golpe letal de arma branca. Ainda de acordo com o órgão, o principal suspeito, que era companheiro dela, colocou o corpo em uma mala e o abandonou em uma mata em Arruma dos Vinhos, distrito de Lisboa.

A suspeita é que ela tenha sido morta por motivos passionais; os familiares acreditam que a motivação pode estar ligada a ciúmes. A polícia portuguesa informou para a família que a prisão ocorreu horas após o crime e que o suspeito foi encontrado em uma área de vegetação perto do local onde o corpo de Camila foi deixado.

A mãe da vítima, Dalva Lucia, disse que Camila morava há cerca de dois meses em Portugal e que pretendia proporcionar um futuro melhor à filha dela, de 10 anos, que reside com a avó. “O sonho da minha filha era ir pra fora do Brasil e dar uma vida melhor para a filha de 10 anos dela, que mora comigo. Ela dizia: 'Mamãe, há muito tempo eu sonhava em ir embora'", conta.

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