Thiago Neves lembra rusga com Rogério Ceni no Cruzeiro e diz: "Se achou demais"

Fernando Moreno/AGIF

A passagem do técnico Rogério Ceni pelo Cruzeiro, entre 11 de agosto e 26 de setembro de 2019, ficou marcada pelo relacionamento conturbado com jogadores “medalhões”, como Dedé, Edilson e principalmente Thiago Neves, hoje meio-campista do Sport. Em entrevista ao canal Pilhado, do jornalista Thiago Asmar, o ex-camisa 10 da Raposa revelou bastidores da rusga com o atual comandante do Flamengo.

Segundo Neves, a contratação de Rogério Ceni pelo clube foi um pedido dos próprios atletas à diretoria. À época, o comandante dirigia o Fortaleza, 12º colocado na 14ª rodada do Brasileirão, com 17 pontos. O Cruzeiro, por sua vez, encontrava-se em situação delicada depois de um mau início com Mano Menezes - 17º, com 11 pontos. Na versão do jogador, a expectativa de recuperação foi dificultada pela condução do treinador, que “chegou dando porrada em todo mundo”.

“Pedimos para que o Rogério viesse para o Cruzeiro, mas a chegada dele não foi boa. Ele chegou muito, como vou te falar, dando porrada em todo mundo. Na primeira reunião, ele chamou nove jogadores dos principais e aí começou a falar do time. Perguntou a idade a Fábio, Edilson, Dedé, Léo, Egídio… daí ele foi falando: ‘olha, isso aqui já deu 200 anos, 300 anos, não vou conseguir jogar com todo mundo’”, disse o armador, citando, na sequência, um recado de Fábio a Ceni.

“(Rogério) Falou que nosso time era muito velho para o jeito que ele queria jogar, sendo que tínhamos acabado de ser bicampeões do Mineiro e da Copa do Brasil. Calma aí também, né?! Chega devagar, vai respeitando, porque só tinha campeão no time (...). O Fábio deixou claro para ele: ‘Rogério, a gente está aqui de braços abertos, você pode montar o esquema que quiser e colocar quem quiser, mas seja justo. Não vá pela experiência de ninguém e nem pela idade (...)”.

Conforme Neves, o problema com Ceni se intensificou após a derrota por 3 a 0 para o Internacional, no Beira-Rio, em Porto Alegre, pela semifinal da Copa do Brasil. Naquela circunstância, o técnico improvisou Jadson na lateral direita e deixou Edilson no banco de reservas. Na zaga, optou por manter Fabrício Bruno na vaga de Leo. Na etapa final, ao perder Dedé por lesão, chamou o volante Ariel Cabral e deslocou Henrique para a defesa.


“Teve o problema comigo na semifinal da Copa do Brasil, em que perdemos por 3 a 0 para o Internacional. Ele mexeu quatro peças no time, deixou o Edilson de fora para improvisar o Jadson, colocou o Marquinhos Gabriel em outra posição, me colocou de falso 9. Ele mexeu muito no time para aquela semifinal, e tomamos de 3 a 0”.

Na saída de campo, Thiago Neves não poupou críticas às escolhas de Rogério Ceni. A partir daquela declaração, jogador e técnico se afastaram no convívio na Toca II. “Eu dei a entrevista dizendo que não devia mexer tanto. Esse foi o erro, de falar na entrevista. No outro dia, falei com o Rogério: ‘eu errei de falar ali, mas não leve para o lado pessoal, até porque você não tem culpa de nada’. Mas ele levou para o lado pessoal. Comigo foi só esse problema, nunca mais tive problema com ele. Mas parei de falar com ele. Ele não falava comigo, eu não falava com ele (...). Quando ele chegava, eu saía, até para evitar”.

 
 
Para Thiago Neves, Rogério Ceni chegou ao Cruzeiro “se achando demais”, pois entrou em atrito com outros jogadores veteranos e optou por escalar os pratas da casa em um momento de dificuldade no campeonato. O meia do Sport citou especificamente o episódio envolvendo Dedé, que saiu em defesa dos companheiros de grupo depois do empate por 0 a 0 com o Ceará, no Castelão, em Fortaleza, em 25 de setembro. Enquanto o zagueiro discursava no vestiário, o ex-goleiro do São Paulo teria abandonado o vestiário em direção ao ônibus que transportava a delegação. No dia seguinte, o treinador acabou demitido.

“O problema maior dele foi com o Dedé, quando ele faltou com respeito na oração. Azar o dele que estava toda a diretoria na roda. Ele chegou com um ego muito avançado, nossa senhora, se achando demais. Não deu certo. Por isso acabou acontecendo aquilo tudo (...). Nosso grupo não se fechou para derrubar o Rogério. A gente sempre falava: ‘deixa ele, é o cara que está comandando. Deixa ele botar a molecada, é o dele que está na reta agora. Se ele tirar os principais jogadores, o problema é dele. Só que depois não vem colocar na conta de todo mundo’”.

Em oito partidas à frente do Cruzeiro, Rogério Ceni obteve duas vitórias, dois empates e quatro derrotas. A equipe ocupava a 17ª posição no Brasileirão, com 19 pontos - em desvantagem no número de vitórias para o 16º, Fluminense (5 a 4). Posteriormente, Abel Braga e Adilson Batista tentaram, sem sucesso, evitar o rebaixamento da Raposa, que caiu para a Série B em 17º lugar, com 36 pontos.

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