Vale diz que rejeitos de barragem não chegarão ao rio São Francisco

Divulgação / Vale 
A Vale publicou uma longa nota nesta quarta-feira (5) em que afirma que o rio Paraopeba pode ser recuperado e que os rejeitos da barragem da Mina do Córrego do Feijão, em Brumadinho, não chegarão ao rio São Francisco. De acordo com a mineradora, as conclusões são baseadas análises feitas pela empresa e pelo Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam).

Conforme o texto, os sedimentos provenientes do rompimento da barragem não devem atingir o rio São Francisco porque, segundo análises, do total de rejeitos aportados ao rio Paraopeba, cerca de 77% ficarão retidos no reservatório da usina de Retiro Baixo e os outros 23% no reservatório da hidrelétrica de Três Marias.

Por meio de nota, a Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Semad) não confirmou a afirmação de que os rejeitos não chegarão ao rio São Francisco. A pasta esclareceu que os rejeitos minerários se encontram no limite do reservatório de Retiro Baixo, sem ultrapassá-lo – sem atingir o reservatório de Três Marias e o rio São Francisco –, mas que o cenário poderá ser alterado após o início do período chuvoso.

“É importante esclarecer que todos os contaminantes que apareceram nas amostras de qualidade da água logo após o rompimento, e que são materiais densos, eles não desapareceram da água, mas sim, sedimentaram. Ou seja, estão no fundo do rio. Deste modo, há possibilidade de que, no próximo período chuvoso, quando aumenta a vazão do Rio Paraopeba, o sedimento seja revolvido e os contaminantes voltem a ser disponibilizados no curso d’água”, diz a secretaria (confira nota na íntegra abaixo).

A Semad informou que, até o momento, os 60 primeiros quilômetros de rios atingidos pelos rejeitos foram os mais prejudicados. “Com base no monitoramento efetuado pelo Igam, é possível afirmar que o derramamento de rejeitos de minério oriundos da barragem causou impactos na qualidade hídrica e, consequentemente, no provimento de usos múltiplos na área diretamente afetada”, afirmou.

Trabalho de contenção

A Vale informou que a recuperação ambiental do rio Paraopeba depende de um conjunto de ações, entre as quais a contenção de rejeitos que estão próximos ao local onde ficava a estrutura. Duas das obras de contenção – uma estação de tratamento de água fluvial e um reservatório feito de cortinas de estacas-prancha – já estão em funcionamento. Segundo a Vale, o trabalho é feito para que todas as obras estejam finalizadas antes do período chuvoso, a partir de outubro.

Igam

No site do Igam, foram publicadas 21 notas de esclarecimento em relação ao monitoramento feito após a tragédia em Brumadinho. A última análise, assinada por um técnico do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama) e outro do Instituto Estadual de Florestas (IEF), indicou que não houve tempo hábil para passagem dos rejeitos pela represa de Três Marias. Isso porque o tempo médio de residência da água (tempo de percurso de determinada massa de água desde o momento que entra no sistema até o momento de sua saída) nesse reservatório é de 365 dias.

“Até o momento, os dados oficiais de qualidade de água não indicam que os rejeitos atingiram o trecho do rio Paraopeba a jusante da UHE de Retiro Baixo, portanto também não atingiram o reservatório da UHE de Três Marias e o rio São Francisco”, diz o documento.

Veja a nota da Semad na íntegra:

"O rompimento da Barragem I do Complexo da Mina do Feijão, em Brumadinho, trouxe impactos para a qualidade da água e biodiversidade na região e todas as medidas de mitigação, recuperação e conservação cabíveis estão sendo exigidas, pelos órgãos responsáveis, à Vale.

Em relação ao impacto nos recursos hídricos, logo no dia seguinte ao desastre, o Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam) – em conjunto com a Companhia de Saneamento do Estado de Minas Gerais (Copasa), a Agência Nacional de Águas (ANA) e a Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM) – instituiu uma rede integrada de monitoramento de qualidade das águas e sedimento do Rio Paraopeba. O objetivo da rede é integrar os dados gerados por estas instituições para garantir maior abrangência na avaliação e transparência dos impactos gerados pelo desastre ao longo do Ribeirão Ferro Carvão e no Rio Paraopeba.

Com base no monitoramento efetuado pelo Igam, é possível afirmar que o derramamento de rejeitos de minério oriundos da barragem causou impactos na qualidade hídrica e, consequentemente, no provimento de usos múltiplos na área diretamente afetada. A avaliação dos resultados de turbidez, que é um parâmetro representativo do deslocamento da pluma, permite concluir que variações expressivas ocorreram em pontos de monitoramento mais próximos ao local do rompimento da barragem, especialmente nos primeiros 60 km após o rompimento.

Em relação aos metais característicos do rejeito, como ferro e manganês, todos apresentaram aumento expressivo depois do desastre, com valores mais elevados nos primeiros 60 km.

Ademais, verificaram-se grandes oscilações para os parâmetros nas semanas subsequentes ao rompimento, sobretudo devido às ocorrências de chuvas, que contribuíram com a remobilização do material depositado no leito do rio ou novos aportes de rejeitos no rio Paraopeba, de trechos a montante.

Para os metais pesados, como chumbo e mercúrio total embora possa se dizer que esses elementos não compunham a massa de rejeito, resta evidente que sua disponibilização nas águas se deu em decorrência direta do rompimento da barragem B1, por arrastamento dos materiais e sedimentos do leito do rio que foram sendo incorporados à lama à medida que a frente de rejeitos ia passando, ou por outro processo ainda não esclarecido. Violações desses metais foram observadas até Curvelo (BP078).

Destaca-se que não são registrados valores em desconformidade as normas legais de chumbo desde o dia 26/03 e de mercúrio desde o dia 02/03.

Ademais os resultados obtidos indicam que, até a presente data, os rejeitos minerários oriundos do rompimento da Barragem 1 se encontram no limite do reservatório de Retiro Baixo, sem ultrapassá-lo e, deste modo, não atingindo o Reservatório de Três Marias e o Rio São Francisco.

No entanto, é importante esclarecer que todos os contaminantes que apareceram nas amostras de qualidade da água logo após o rompimento, e que são materiais densos, eles não desapareceram da água, mas sim, sedimentaram. Ou seja, estão no fundo do rio, o que é comprovado pelos resultados do monitoramento de sedimento feito pelo Igam e órgãos parceiros acima citados. Deste modo, há possibilidade de que, no próximo período chuvoso, quando aumenta a vazão do Rio Paraopeba, o sedimento seja revolvido e os contaminantes voltem a ser disponibilizados no curso d’água".

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