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terça-feira, 15 de março de 2022

Ronaldo apresenta novas condições para concluir compra do Cruzeiro

Gustavo Aleixo/Cruzeiro/Divulgação

Oitenta e sete dias após assinar a carta de intenção para a compra da SAF do Cruzeiro, Ronaldo ainda não concluiu a aquisição. Negociações sobre pontos cruciais o separam da assinatura da documentação definitiva. O empresário encontrou problemas na estrutura do negócio e apresentará à política cruzeirense novas condições para concluir a operação.

O ge conversou com Gabriel Lima, membro do comitê de transição e um dos homens de confiança de Ronaldo, com exclusividade. O executivo explicou quais são essas condições e por que essa equipe, que administrará o futebol cruzeirense após a compra da SAF, entende que elas são necessárias para que o negócio seja seguro e sustentável.

Um dos problemas mais graves está na dívida tributária. Da maneira como a compra foi alinhada, em dezembro, a SAF não se responsabilizaria pelo pagamento desse passivo com o governo. Hoje, o estafe de Ronaldo vê riscos para a operação do clube-empresa.

A transação tributária que a associação cruzeirense conseguiu com a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), em outubro do ano retrasado, tem como garantia de pagamento a Toca 1, um dos centros de treinamento do clube. Caso as parcelas não sejam pagas pela associação, esse bem estará sujeito a execução.

Ronaldo vai propor aos associados cruzeirenses a seguinte condição: a SAF assumirá a responsabilidade de pagar parte da dívida tributária – a ser renegociada mais uma vez, por meio do Programa de Retomada do Setor de Eventos (Perse) –, mas os centros de treinamento (Toca 1 e Toca 2) deverão ser arrendados para a empresa.

Ainda não estão claras as condições desse arrendamento, como prazos e valores. Mas é certo que, ao comprovar o pagamento dessa dívida tributária, haverá a previsão de transferência dos ativos da associação para a empresa. Além disso, a equipe de Ronaldo acredita que a operação protegerá os centros de treinamento de execuções.

– As Tocas são o lugar em que a gente exerce a nossa finalidade. Eu não posso ter risco de perder esses dois imóveis. É por isso que a gente tá pedindo para gerir esses ativos. Eu não posso perdê-los daqui a pouco. Como eu fico? Onde o clube treina? – diz Gabriel.

– Como é que eu faço um investimento em infraestrutura sem saber se esse CT, daqui a dois ou três anos, ainda pertencerá a mim? Sabendo que ele pode ser perdido num não pagamento de alguma dívida. Ou que pode ser dado em garantia para outra dívida que eles possam vir a assumir? Então esse é o ponto fundamental – completa o executivo.

Além disso, Ronaldo pedirá aos associados cruzeirenses a autorização para a abertura de um processo de Recuperação Judicial ou Extrajudicial. Ambas são ferramentas usadas para recuperar empresas em situações falimentares, por meio de renegociação coletiva com credores de naturezas cível e trabalhista.


Se o pedido for atendido por associados cruzeirenses, o processo se aplicará na associação civil, Cruzeiro Esporte Clube, da mesma maneira que optou o Figueirense. Ambos os clubes têm consultoria da Alvarez & Marsal (ouça o episódio do podcast em que seus sócios explicam esses mecanismos para renegociação de dívidas).

Neste ponto, o Cruzeiro se diferenciaria de outros clubes, como Botafogo e Vasco, que optaram pelo Regime Centralizado de Execuções para renegociar dívidas cíveis e trabalhistas. O estafe de Ronaldo considera que a Recuperação Judicial ou Extrajudicial é mais segura, do ponto de vista jurídico, e também mais interessante economicamente.

– Se você faz o RCE, a taxa de correção da dívida é pela Selic [nota da redação: atualmente, a Selic está em 10,75% ao ano]. Se você faz RE ou RJ, a taxa dá 1,5%. Só isso já muda completamente de figura o negócio. A Selic é muito maior do que a outra taxa. Sem considerar deságio, só isso já faz o negócio mudar completamente de figura. E também a RE e a RJ estão dentro de legislação que não é tão antiga, mas foi muito mais testada – explica Gabriel.

Essa proposta – que inclui o arrendamento dos CTs pela SAF, a responsabilização de parte da dívida tributária e a autorização para a Recuperação Judicial – será levada à Assembleia Geral do Cruzeiro em breve. Um edital será apresentado aos sócios celestes nos próximos dias. Depois disso, haverá um prazo de duas semanas para a votação.

Contratualmente, ainda é possível que Ronaldo desista da compra de 90% da SAF cruzeirense. O prazo para a assinatura definitiva do contrato, de 120 dias, está no fim. E o empresário reconsiderará a aquisição do clube-empresa, caso as demandas não sejam atendidas. Hoje, no entanto, a saída do negócio não é levada em conta atualmente pelo ex-jogador.

- A gente entende que é absolutamente fundamental, para a sobrevivência do Cruzeiro, com ou sem o Ronaldo, esse negócio passar. A gente acredita que é o melhor para o Cruzeiro. Se não for aprovado, a gente vai ter que refletir, mas vai ser muito complexo. Sim, existe possibilidade de saída, mas a gente não contempla isso no momento. Acredito que os conselheiros e a torcida vão entender isso de uma maneira muito fácil. O remédio é amargo, porque o doente está num estado crítico – conclui Gabriel.

(Rodrigo Capelo - Globo Esporte)

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