Cruzeiro anuncia pagamento ao Spartak Moscou por Pedro Rocha e evita punição na Fifa

Foto: Vinnicius Silva/Cruzeiro
O Cruzeiro se livrou de mais uma punição na Fifa ao pagar ao Spartak Moscou, da Rússia, 400.564 euros - R$ 2.535.551,29 - pela contratação do atacante Pedro Rocha, em abril de 2019. Em transmissão no canal oficial do clube no YouTube, o presidente Sérgio Santos Rodrigues confirmou o acerto nesta quinta-feira (6), último dia para solucionar o débito, cuja punição prevista era a proibição de registrar novos jogadores na sequência de 2020. Dois patrocinadores ajudaram na operação: o Supermercados BH e a construtora Emccamp.

“A gente mostrou o videozinho no começo. A TED já está feita, assinada, não sei se chegou na Rússia, pois está tarde. O sistema é eletrônico, mas demora um pouquinho. Ainda bem que mais um problema da Fifa a gente conseguiu resolver. Vi que a torcida hoje puxou movimento na rede social, falando do banco BMG, mas não foi eles que ajudaram. O Cruzeiro tem um patrocinador, uma instituição financeira. Eu, particularmente, gosto muito e sou amigo do Ricardo Guimarães. Mas quem ajudou o Cruzeiro são os produtos que a gente vem fazendo e pessoas muito importantes para o clube. Dois deles estão na tela, e mando o meu abraço sempre, que são o Pedro Lourenço (Supermercados BH) e o Régis Campos, da Emccamp. Já estão colocados na tela, fica aqui meu forte abraço a eles. E que a torcida do Cruzeiro continue consumindo os nossos produtos e contribuindo para que isso ocorra. É a quarta dívida que a gente resolve em 65 dias desde que a gente chegou. Vamos trabalhar dia e noite para resolver todas elas”, relatou Sérgio Rodrigues.

Em nota publicada no site oficial, o Cruzeiro informou ter liquidado ainda 10 mil francos suíços em custas processuais (R$ 58,5 mil), R$ 461.397,93 de imposto de renda e R$ 9.935,41 de imposto sobre operações financeiras (IOF). Assim, o custo final por Pedro Rocha foi fechado em R$ 3.065.424,26.

No empréstimo de Pedro Rocha, o Cruzeiro se comprometeu a repassar 750 mil euros ao Spartak - R$ 3,2 milhões na época. O então vice-presidente de futebol, Itair Machado, declarou no dia 2 de abril de 2019 que o banco Digimais, patrocinador máster do clube naquela temporada, auxiliaria no pagamento aos russos e também em parte dos salários do jogador.

“O Pedro abriu mão de parte do (salário) que ganha lá (na Rússia). Porque todos sabem que o que os atletas ganham lá é impossível pagar no nosso país. Lá atrás, o Cruzeiro pagaria até mais pelo empréstimo, mas desta vez foi 750 mil euros, que será pago através do Banco Digimais. A questão do salário, o banco também ajudará num valor a mais por mês para não onerar muito a folha”, disse Itair, em entrevista em Guayaquil, no Equador, onde a Raposa jogaria contra o Emelec pela fase de grupos da Copa Libertadores.

Todavia, a reclamação do Spartak na Fifa, noticiada pelo Superesportes em 6 de fevereiro de 2020, foi pela totalidade dos valores. Ou seja, na versão do clube russo, o Cruzeiro simplesmente não cumpriu o compromisso de 750 mil euros. Com a cotação da moeda estrangeira a R$ 6,35 nesta quinta-feira, a pendência celeste supera R$ 4,76 milhões.

Banco liberou dinheiro

Também na live desta quinta-feira, Sérgio Rodrigues explicou que houve um mal-entendido na participação do Digimais. Os executivos do banco comprovaram que o dinheiro destinado à contratação de Pedro Rocha foi liberado ao Cruzeiro, porém a diretoria anterior, liderada pelo ex-presidente Wagner Pires de Sá e Itair Machado, não usou a quantia para os fins solicitados.

“Na verdade, foi um mal-entendido. Procuramos apurar o que ocorreu junto ao banco, e o que eles nos relataram foi que os dirigentes, que se Deus quiser vamos expulsar para sempre do clube, pediram um valor adiantado de patrocínio para o banco Digimais. O banco Digimais adiantou esse valor, e eles não pagaram a contratação que fizeram. Então, como fizeram com dinheiro de imposto e diversos outros valores, a gente não sabe para onde foi. A Polícia vai conseguir mostrar isso para nós. Mas a culpa não foi do parceiro. Pelo contrário, o parceiro adiantou o recurso, mas o dinheiro foi mal gasto. Talvez tenha sido gasto no cartão corporativo naqueles locais que a gente já falou quais são”.

Pedro Rocha frustrou as expectativas dos torcedores e não conseguiu repetir no Cruzeiro o futebol de habilidade e velocidade que o tornaram xodó da torcida do Grêmio. Em 33 partidas, o atacante marcou apenas quatro gols. Em 2020, ele se transferiu para o Flamengo, também por empréstimo, onde é considerado reserva de Bruno Henrique.

Outros acordos na Fifa

Nos últimos meses, o Cruzeiro conseguiu resolver outras pendências na Fifa. Em 28 de maio, pagou 600 mil euros (R$ 3,5 milhões) ao Zorya, da Ucrânia, pela compra dos direitos econômicos do atacante Willian, em julho de 2014. Em 10 de julho, foi a vez de se acertar com o Tigres, do México, pela aquisição de Rafael Sobis, em junho de 2016. Embora não revelado devido a uma cláusula de confidencialidade, o valor estava na casa de R$ 17,2 milhões. A Raposa obteve desconto dos mexicanos e abateu mais de 90% do passivo.

Há uma semana, em 30 de julho, Sérgio Rodrigues anunciou acordo com o Independiente del Valle, do Equador, para parcelar em 18 vezes a dívida da aquisição do zagueiro Kunty Caicedo, em dezembro de 2016. Segundo apurou a reportagem, a soma dos valores - considerando multas, juros e encargos - chega a R$ 10,2 milhões. As cifras não foram oficialmente confirmadas devido ao pedido de sigilo dos equatorianos.

Em reunião com conselheiros na segunda-feira (3), Sérgio também revelou que o Cruzeiro transferiu para o Unión Flórida, da Argentina, dinheiro de mecanismo de solidariedade da Fifa pela formação do centroavante Ramón Ábila - cerca de R$ 600 mil. Além disso, o clube estima gastar R$ 2,3 milhões de custas processuais na entidade máxima do futebol. Com a resolução do caso de Pedro Rocha, a Raposa atinge R$ 32,5 milhões em abatimento de dívidas por contratações.

A roda de negociações com os credores foi intensificada pela gestão de Santos Rodrigues depois que a Fifa determinou a retirada de seis pontos do Cruzeiro na Série B do Brasileiro. O motivo da sanção de 19 de maio foi uma dívida de 850 mil euros (mais de R$ 5 milhões) com o Al Wahda, dos Emirados Árabes Unidos, pela contratação por empréstimo do volante Denílson, em julho de 2016. Para evitar nova penalidade, que seria o rebaixamento à Série C, o clube precisa solucionar o caso nos próximos meses.

Rafael Arruda - Repórter do Superesportes

Um comentário:

  1. Parabéns a nova gestão do maior de Minas e peço a todos os reais cruzeirenses que contribuam com o que puderem para reconstrução para que não possamos voltar ao lugar de onde nunca deveríamos ter saido

    ResponderExcluir

Os comentários são de inteira responsabilidade de seus autores e não representam a opinião deste site.