Sette Câmara afirma que disputa política pode derrubar MP de Bolsonaro

Foto: Bruno Cantini/Atlético
Para o dirigente alvinegro, mudança nos direitos de transmissão para os mandantes pode não ocorrer por causa dos conflitos entre Congresso e Palácio do Planalto


A Medida Provisória assinada pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) nesta quinta-feira (18) vai permitir que os clubes mandantes das partidas possam negociar os direitos de transmissão, seja com emissoras ou até mesmo veiculando os jogos pelos próprios canais nas redes sociais. Com contrato até 2023 com a TV Globo, o Atlético por enquanto não fez qualquer avaliação da mudança que pode impactar no futebol. De acordo com o presidente Sergio Sette Câmara, em entrevista exclusiva ao Estado de Minas e ao Superesportes, a medida ainda está em fase inicial e corre risco de ser anulada.

Atualmente, as emissoras só podem transmitir uma partida se tiverem acordo com os dois clubes que vão jogar. No Campeonato Carioca, por exemplo, a Rede Globo não pode transmitir os jogos do Flamengo por causa da falta de um consenso econômicos entre o rubro-negro e a emissora. Tanto é que o duelo com o Bangu, no retorno da competição, depois de três meses, não foi veiculado pela televisão.

Sette Câmara, porém. avisa que a disputa entre Congresso e governo pode prejudicar o andamento da Medida Provisória: “Politicamente falando, hoje existe uma rusga entre o executivo e o legislativo brasileiro. A chance dessa MP não vingar no Congresso, não vingar por questão política é grande, mas vamos ver como isso vai caminhar”.

O presidente do Atlético entende que o futebol deve ter um equilíbrio entre os clubes grandes e pequenos para minimizar a mudança na questão dos direitos de transmissão: “A medida provisória pegou a maioria dos clubes de surpresa. Foi um trabalho feito praticamente pelo Flamengo, que foi lá fazer valer seus interesses. Claro que isso tem uma repercussão muito maior para clubes grandes, como o Flamengo e o Atlético, mas prejudica muito os clubes pequenos. Como integrante do Conselho Nacional dos Clubes (CNC), temos que olhar as coisas para o viés do Atlético e também para o viés do futebol. Afinal de contas, minha representação na CNC não é defender os interesses do Atlético e sim dos clubes".

"E aí você tem clubes grandes como o Atlético e clubes pequenos também que podem ser prejudicados com essa Medida Provisória. Não posso avaliar assim de plano, mas acredito em repercussão maior a médio e longo prazo. Os contratos (com a Globo) estão em vigor até 2023 e acredito que nada vai mudar. É algo que pode acontecer a médio prazo”, completa o presidente.

Sette Câmara avalia que os torcedores aos poucos vão se habituar a ver os jogos de maneira diferente: “Não fizemos uma análise mais profunda dessa Medida Provisoria, mas sem dúvida temos muitas coisas nos próximos anos que vão mudar muita coisa do que estamos acostumados, que é ficar vendo futebol ali na televisão x ou y. O streaming veio para ficar, hoje você tem a questão dos direitos internacionais, apostas e muita coisa que está no entorno”.

A entrevista

Sérgio Sette Câmara concedeu entrevista exclusiva ao Superesportes e ao Estado de Minas. Na conversa, o mandatário alvinegro falou sobre finanças, contratações, política, relação com o técnico Jorge Sampaoli, Arena MRV, rivalidade com o Cruzeiro e vários outros temas. As reportagens serão publicadas ao longo dos próximos dias.

Superesportes

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