Executivo de Ipatinga expõe a comerciantes a gravidade dos números de coronavírus

Coronavírus Ipatinga
Foto: Ascom/PMI
Em diálogo com empreendedores de diversos segmentos, no final da tarde desta quarta-feira (3), o chefe do Executivo de Ipatinga detalhou as razões de saúde pública que levaram o município a suspender emergencialmente, via decreto, as atividades dos setores não essenciais, em meio à pandemia do coronavírus. A cidade saltou rapidamente de um crescimento diário de 2% na curva epidemiológica de casos para uma média de 18%, atingindo um total de 340 infectados nesta quarta. Mas a principal preocupação é com a possibilidade de um colapso na ocupação dos leitos de UTI, já que ela está momentaneamente em 87% depois de já ter ultrapassado os 100% nos últimos dias.

Conforme a autoridade municipal, “ficamos entre duas situações. Ou fazer uma pausa temporária agora ou enfrentarmos um ‘lockdown’ sem prazo para retomada do funcionamento dos estabelecimentos, nas próximas duas semanas. No dia 10 de junho, os números serão reavaliados pelo Comitê Gestor de Crise”, reiterou.

Vídeo do Estado

Para dar maior transparência aos argumentos, durante a reunião com os comerciantes - que estavam acompanhados de líderes da Associação Comercial (Aciapi) e Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) - o Executivo reproduziu o vídeo de uma entrevista atual concedida pelo chefe de Gabinete da Secretaria Estadual de Saúde, João de Pinho, em que atesta a gravidade do quadro de contágio por Covid-19 em Ipatinga e região. Nela, a autoridade sugere que os municípios registrem sua adesão ao programa ‘Minas Consciente’ como providência mais urgente e necessária. Contudo, Ipatinga entende que esse é um remédio ainda mais amargo para os comerciantes, porque entrariam na chamada Onda Verde, em que as restrições são ainda maiores, com o hipotético fechamento ininterrupto das lojas por 30 ou 40 dias futuros.

Foi citada durante a reunião, uma vez mais, a dificuldade de todos em adquirir respiradores para equipar leitos de UTI. O próprio Estado acena com a possibilidade de fornecer um total de 1.000 equipamentos aos municípios, mas somente a partir de agosto. Três respiradores que foram encaminhados a Ipatinga pelo governo de Minas, nos últimos dias, vieram sem um componente indispensável para o funcionamento, o que inviabilizou seu aproveitamento imediato. Assim, foi adquirido o acessório para que eles pudessem ser colocados em atividade.

Os comerciantes apresentaram na reunião o quadro de extrema dificuldade a que muitos têm sido levados diante da impossibilidade de abrirem suas portas, mas reconheceram a seriedade como as autoridades municipais têm tratado do problema da pandemia.

Embora as autoridades do município compreendam que os comerciantes não são os culpados pelo avanço das contaminações e também reconheçam o quanto todos têm sido colaborativos, procurando obedecer à risca as normas sanitárias estabelecidas, foi ressaltado durante o encontro que, com o comércio inteiramente aberto, as aglomerações têm sido inevitáveis nas ruas e também nos veículos de transporte coletivo e pontos de ônibus. Quanto aos setores essenciais que permanecem em atividade, o município procura fiscalizar ao máximo, impondo pesadas multas para as infrações, esperando que haja sensibilidade e compreensão de todos quanto à gravidade da doença. Trata-se de algo tão complexo que nem mesmo os infectologistas são consensuais em suas avaliações.

Altíssimo risco

De acordo com os especialistas, quando um município apresenta um total de 200 casos de coronavírus por milhão de habitantes ele se encontra numa situação de Risco Moderado. Com 300 casos, nesta mesma relação, o quadro evolui para Risco Alto. Com mais de 400 casos/milhão de habitantes, chega-se ao Risco Muito Alto e, acima de 750 casos, recomenda-se o ‘lockdown’, em que só permanecem abertos supermercados e farmácias.

Conforme análise feita em cima dos números apresentados por Ipatinga, Coronel Fabriciano, Timóteo e Santana do Paraíso, a região já atinge uma relação de 1.098 casos por milhão de habitantes, sendo que em Ipatinga a relação projetada já é de 1.227 casos por milhão. Por este mesmo critério, a situação mais grave é a de Santana do Paraíso, com projeção de 2.028 casos/milhão. O cálculo atual para Coronel Fabriciano é de 945 casos/milhão e, para Timóteo, de 611 casos/milhão.

Ainda conforme números divulgados pela Secretaria Municipal de Saúde, mais da metade dos leitos de UTI/COVID/SUS de Ipatinga estavam ocupados nesta quarta-feira por moradores locais, sendo os demais de cidades como Mesquita, Governador Valadares, Coronel Fabriciano, Timóteo, Belo Oriente, São João do Oriente, Ipaba e Dom Cavati, entre outros.

PMI

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