INDÚSTRIAS DO VALE DO AÇO DEVEM SER POUCO AFETADAS POR SOBRETAXA DA IMPORTAÇÃO DE AÇO E ALUMÍNIO, DIZ FIEMG

Foto: Usiminas / Divulgação
Novas taxas para a importação foram anunciadas pelos EUA e passam a valer no dia 23; empresas regionais são voltadas ao mercado interno e exportam para Europa e América Latina.

Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) acredita que o impacto da criação de novas taxas para importação de aço e alumínio, anunciadas pelo governo dos Estados Unidos, deve ser menor nas indústrias da região do Vale do Aço mineiro, pelo menos num primeiro momento.

Isso porque as indústrias, localizadas em Ipatinga e Timóteo, possuem 85% da produção voltada para o mercado interno e ainda contam com exportações para a Europa e países da América Latina.

Mas o presidente regional da Fiemg, Luciano José de Araújo, alerta que a decisão tomada pelo governo americano afeta a indústria nacional de um modo em geral e isso pode provocar reações em cadeia. “Outros países que destinam seus produtos para os EUA, como a própria China, alvo de Trump ao decretar a sobretaxa, vão buscar novos mercados. Então há uma preocupação sim. Nós aguardamos que o Brasil tome medidas para proteger a indústria nacional e que ela possa sofrer menos com esse impacto como um todo no país, principalmente pela parte do minério. Se tivermos problema com a siderurgia, teremos problema com minério e aí a cadeia toda de fornecimento é prejudicada e todos serão afetados”, explicou Luciano.

Segundo o presidente, existe o receio de que a indústria nacional seja afetada pela entrada de aço chinês com preço a baixo do custo de produção do mercado brasileiro, o que reforça a necessidade de que o Governo Federal adote medidas antidumping para proteger a economia; o Brasil é o segundo maior exportador de aço para os Estados Unidos.

Mercado interno como alternativa

Para o economista Amaury Gonçalves, o anúncio dos EUA chega num momento ruim para o Brasil, que começava a retomada de produção, mas existem possibilidades de diminuir o impacto da medida americana.

“A indústria brasileira vem recuperando nos três últimos anos. O setor externo ajuda muito porque cria uma demanda externa que vai favorecer a produção, gerando emprego e renda. Então essa sobretaxa ao aço é ruim porque vai inibir um volume maior de produção. Mas por outro lado, a economia tem voltado a níveis satisfatórios, a indústria automobilística volta a vender e o caminho é carrear essas exportações para o mercado interno exatamente para atender essa demanda que vem crescendo”, pontua o economista.

Dever de casa

Ainda sobre as característica de produção do Vale do Aço, o presidente regional da Fiemg destaca que as indústrias da região fizeram o "dever de casa", pois têm investido em produtos com maior tecnologia. “Por exemplo, nós temos para o setor de petróleo e gás um aço de alta resistência que a Usiminas desenvolveu. São produtos com muita pesquisa, muito desenvolvimento que não é qualquer empresa no país e no mundo que produz. Quem trabalha com mais tecnologia já tem seus mercados cativos, já tem soluções para os clientes onde a substituição desses produtos não é tão imediata assim e por isso sofre menor impacto”, pontua Luciano José.

Procurada pelo G1, a Usiminas, de Ipatinga, informou que as novas medidas anunciadas pelo governo dos EUA não devem ter impacto relevante para a empresa, uma vez que o país respondeu por 4% das vendas externas da companhia no último ano e 1% no quarto trimestre de 2017.

“A empresa destina apenas 15% de suas vendas totais ao mercado externo. De qualquer forma, as barreiras tarifárias impostas pelos Estados Unidos já trouxeram impactos no passado às exportações da Usiminas. Entretanto, a partir de 2016, a empresa buscou outros mercados, em especial, na Europa e na América Latina. Embora não impactada diretamente no curto prazo por essas medidas, a Usiminas repudia de forma veemente este tipo de medida, que prejudica o livre comércio no mundo e os interesses do Brasil e espera que o país busque medidas que garantam isonomia nas relações comerciais internacionais", destaca o comunicado.

Também procurada pelo G1, a Aperam South America, que fica em Timóteo, também informou por meio de nota que investe permanentemente no fortalecimento de sua competitividade, o que, nos últimos anos, resultou em ações comerciais voltadas para a exportação como estratégia para atenuar a crise econômica no Brasil durante o período.

“A Aperam entende que a medida ocasionará dano significativo para as siderúrgicas brasileiras. Os Estados Unidos sempre foram um parceiro relevante para o setor no Brasil. As relações comerciais, benéficas ao desenvolvimento dos dois países, certamente sofrerão caso as novas condições não sejam revistas. As instituições que representam o aço brasileiro já estão empenhadas em analisar, com o Governo Federal, meios para recorrer junto aos EUA e também tomar medidas preventivas de defesa da competitividade do setor contra eventuais consequências negativas no comércio do aço pelo mundo”, informou.

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